Como
profissionais de saúde e fotógrafas de recém-nascidos, bebês e crianças nos
perguntamos sempre se estamos protegendo nossos clientes da melhor maneira
possível. Uma das nossas colegas e referências nos perguntou sobre o cigarro e
os bebês. Carla Durante, obrigada por trazer essa questão à tona e nos
incentivar a pesquisar, fazer algumas reflexões e tentar trazer algumas respostas sobre o tema.
Será que fumar incomoda mesmo, a ponto de não deixar o bebê dormir durante a
sessão? Será que fumar antes do ensaio pode fazer algum mal para o bebê?
É sabido há
décadas que fumar pode provocar diversos males, como hipertensão arterial,
infarto, aterosclerose, bronquite, angina (dor no peito), enfisema pulmonar, diversos
tipos de cânceres, diabetes, otite, amigdalite, osteoporose, acidente vascular
cerebral, aneurisma de aorta, entre outros. Quanto mais tempo a pessoa fuma,
mais difícil é deixar de fumar e maiores são as chances de desenvolver algumas
das doenças citadas acima.
Estamos
muito acostumados com o termo fumante passivo (ou fumante passivo secundário),
que são aquelas pessoas que inalam a fumaça de cigarros das outras pessoas, mas
não fumam. Elas também podem desenvolver doenças relacionadas ao tabagismo.
Ser fumante
passivo é perigoso para bebês pois suas vias aéreas são muito mais finas e sua
imunidade ainda não está completamente desenvolvida. Entre outras coisas,
enfraquece seus pulmões, os deixa mais propensos a otites e dobra o risco de
síndrome da morte súbita do lactente.
Uma nova
condição que vem sendo estudada mais recentemente e que vem com um novo termo é
a do fumante passivo terciário. O fumante, mesmo que não esteja fumando naquele
momento, continua eliminando toxinas impregnadas nas suas roupas, cabelos, pele
e podem prejudicar outras pessoas, especialmente crianças alérgicas e
asmáticas.
A fumaça do cigarro espalha toxinas pelo ambiente, como nicotina,
monóxido de carbono, e uma variedade de elementos que são potenciais
cancerígenos para seres humanos. Essas toxinas e pequenas partículas ficam
espalhadas por todo o ambiente incluindo roupas, brinquedos, móveis, paredes e
teto. Nos dias, semanas e meses subsequentes, essas substâncias voltam aos
poucos para o ar. O bebê também pode ser exposto aos poluentes se deitar em um
travesseiro ou colocar objetos contaminados na boca.
Alguns estudos demonstram isso. Em um deles
foram procurados traços de fumaça residual em casas em que os fumantes tentavam
proteger as crianças nunca acendendo um cigarro no mesmo ambiente em que as
crianças estavam. Os níveis de nicotina e outros produtos tóxicos encontrados
eram de 5 a 7 vezes maiores do que em casa de não fumantes e além disso,
toxinas foram encontradas na urina das crianças que moravam nessas casas em um
nível quase igual a das crianças fumantes passivas secundárias. Mesmo em
residência em que os fumantes só acendem cigarros em ambientes externos,
toxinas foram encontradas dentro de casa.
Resíduo de fumaça pode sim causar irritação
nas narinas e olhos, mas não causa dano ao tecido dos pulmões. Para entender
mais facilmente, a criança não vai desenvolver câncer de pulmão por encostar em
uma roupa “fedorenta”.
O olfato dos bebês – ele sente o odor do
cigarro? Se incomoda?
O olfato do bebê é extremamente aguçado e
funciona perfeitamente desde o nascimento. Até antes dele na verdade. O odor
passa pelo líquido amniótico. Incrível, não? O bebê reconhece a mãe pelo cheiro
desde os primeiros dias de vida e aos poucos, começa a identificar
outros odores, como o do pai, das pessoas próximas e até mesmo dos ambientes. Qualquer
odor forte deve ser evitado nessa fase, como perfumes e o próprio cigarro.
Esses odores podem causar obstrução nasal no bebê, além de alergias, se a
criança for alérgica.
Concluindo, evidentemente o ideal é não
fumar. Isso vale para qualquer pessoa seja ela profissional que vai ter contato
com o bebê ou parente da criança, mas também sem exageros. Antes de tocar um
bebê, os fumantes devem trocar de roupas para limpas, lavar as mãos e rosto e
nunca devem oferecer o dedo para o bebê sugar.
